Você olha para o parque de máquinas da empresa — aqueles notebooks de 8GB de RAM comprados há dois ou três anos — e faz a conta na cabeça: trocar tudo custa caro, mas os usuários reclamam que o Windows 11 está lento, que o Teams engasga, que abrir o Excel com o navegador aberto trava a máquina. A pergunta que fica é: o problema é o hardware velho ou é o sistema? No começo de agosto de 2026, a própria Microsoft deu a resposta — e reconheceu que boa parte da culpa é do Windows.
Se você é gestor de TI ou responsável por um parque de computadores de PME, essa notícia muda o cálculo de quando trocar máquina e quando esperar. Vamos ao que foi anunciado, ao que isso significa na prática e ao que dá para fazer com as suas máquinas de 8GB hoje, sem depender de promessa de fabricante.
O que a Microsoft anunciou
Otimizar o Windows 11 para rodar melhor em PCs com 8GB de RAM entrou oficialmente na lista de prioridades de Pavan Davuluri, presidente de Windows e Devices da Microsoft, para o restante do ano. A meta declarada é tornar os PCs de entrada mais utilizáveis no dia a dia até o fim de 2026.
O reconhecimento é importante porque, por muito tempo, a resposta padrão para “meu PC está lento” foi “compre mais memória”. Agora a Microsoft admite que o próprio sistema operacional engordou a ponto de sufocar máquinas de configuração modesta — e que a solução passa por colocar o Windows “de dieta”, não só por empurrar upgrade de hardware para o cliente.
Por que 8GB “somem” antes de você abrir qualquer programa
Aqui está o mecanismo, que é o que realmente explica a lentidão. Segundo medições publicadas pelo site Windows Latest, um notebook de 8GB parado — sem nenhum aplicativo aberto pelo usuário — já pode estar usando perto de 6GB de memória. Ou seja: o sistema começa o dia com três quartos da RAM comprometidos antes de o funcionário clicar em qualquer coisa.
Boa parte desse consumo está ligada ao WebView2, o componente baseado no Chromium (o mesmo motor do Chrome e do Edge) que hoje roda por trás de vários aplicativos nativos do Windows. Cada app moderno que usa esse componente carrega, na prática, um pedaço de navegador na memória. Multiplique isso por vários apps embutidos rodando em segundo plano e você entende por que sobra tão pouca RAM para o trabalho de verdade.
É por isso que a máquina parece travada logo no boot: não é (só) o disco lento ou o antivírus. É o sistema ocupando a memória antes de você.
O que a Microsoft vai mudar
A abordagem tem duas frentes. A primeira é atualizar os aplicativos embutidos do Windows para consumirem menos memória. A segunda é melhorar o WinUI, o framework usado para construir muitos dos apps modernos do sistema — mexer na base para que tudo que é construído sobre ela fique mais leve.
O rollout é gradual ao longo de 2026, chegando por atualizações e não por um único “grande patch”. A expectativa é ajudar notebooks de entrada, máquinas mais antigas e parques corporativos a darem conta das tarefas do dia a dia sem esbarrar no limite de memória tão cedo.
É uma promessa de otimização em andamento, não um patch pronto para instalar hoje. Vale acompanhar — mas não vale parar de gerenciar o seu parque esperando por ela.
O que muda para o seu parque — e o que não muda
Seja realista sobre o alcance. Mesmo depois da otimização, 8GB seguem sendo pouco para uso pesado. A melhora deve ajudar tarefas leves; o resto continua pedindo mais memória. Vale separar os perfis de uso antes de decidir qualquer compra:
| Perfil de uso | 8GB ainda dá conta? |
|---|---|
| E-mail, navegação leve, streaming, Office básico | Sim, tende a melhorar com a otimização |
| Muitas abas do navegador, videochamadas + planilha grande | No limite, sente lentidão |
| Multitarefa pesada, edição de imagem/vídeo, IA local | Não — planeje 16GB ou mais |
O que fazer agora, sem esperar a Microsoft
- Mapeie quem realmente sofre. Nem todo usuário de 8GB tem problema. Identifique os perfis pesados (muitas abas, apps de criação, videochamada o dia todo) e priorize esses — em vez de trocar o parque inteiro por reclamação genérica.
- Limpe a inicialização. Desative programas que sobem junto com o Windows e ficam consumindo memória em segundo plano. Em muitas máquinas, isso sozinho já libera espaço perceptível.
- Controle o navegador. O Chrome/Edge com dezenas de abas é, na prática, o maior consumidor de RAM da maioria dos usuários. Extensões de suspender abas e disciplina de uso ajudam mais do que parece.
- Avalie upgrade de 8 para 16GB. Onde o notebook permite adicionar memória, o upgrade costuma custar uma fração de uma máquina nova e resolve o gargalo por mais alguns anos. Nem todo modelo permite — vale checar antes.
- Planeje a troca do que está no fim da vida. Para máquinas antigas, sem espaço para upgrade e fora de garantia, a conta muda: substituir sai mais barato que manter no suporte constante. Trate isso como planejamento, não como emergência.
Na EDX Info, ajudamos a mapear o parque de máquinas, decidir entre upgrade e troca, e manter tudo funcionando com suporte técnico N1 e N2 — inclusive o licenciamento de software para não deixar pontas soltas. Se você não sabe quantas das suas máquinas de 8GB valem um upgrade e quantas já pedem substituição, dá para levantar isso de forma organizada antes de gastar. Veja mais em nossos conteúdos ou conheça nossos serviços de suporte.
Quer um diagnóstico do seu parque de máquinas antes de decidir o que trocar? Fale com a gente no WhatsApp ou escreva para contato@edxinfo.com.br.
Fontes
- Windows Latest — “Microsoft confirms Windows 11 is a memory hog, promises 8GB RAM PC optimization by end of 2026”, 01/08/2026. windowslatest.com
- PCWorld — “Windows 11’s next big priority: Making 8GB PCs less painful to use”, 08/2026. pcworld.com
- Notebookcheck — “Microsoft to optimize Windows 11 for PCs with 8GB of RAM”, 08/2026. notebookcheck.net

